Iniciativa do Instituto Galo reuniu 30 instituições sociais durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, com uma tarde de música, cultura, protagonismo e inclusão.
A Arena MRV foi, mais uma vez, espaço de encontro, celebração e pertencimento. Na quarta edição do Festival da Inclusão, realizada nesta quarta-feira (26), 720 pessoas de 30 instituições sociais se reuniram para uma tarde dedicada à valorização da diversidade e à construção de uma sociedade cada vez mais inclusiva.
Realizado pelo Instituto Galo durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, celebrada entre os dias 21 e 28 de agosto, o festival tem como proposta fortalecer a conscientização sobre a inclusão e, principalmente, criar oportunidades para que pessoas com deficiência ocupem espaços de cultura, lazer e convivência.
A programação começou com um lanche de recepção e a abertura oficial, conduzida por Maria Alice, presidente do Instituto Galo. Para ela, promover inclusão também significa combater barreiras e garantir autonomia.
“Nós do Instituto Galo estamos muito felizes de promover hoje o 4º Festival da Inclusão. Temos que combater as barreiras e promover a autonomia das pessoas com deficiência. E nada melhor do que trazê-los hoje aqui para a Casa do Galo, que hoje é a casa de todos, Arena MRV”, afirmou.
Ao longo da tarde, a música foi um dos principais caminhos para promover encontros. O público acompanhou apresentações do Projeto Musical do Instituto Galo, do Dudu do Cavaco, do coral “Bora Cantar” e da banda formada por estudantes do Colégio Militar de Belo Horizonte.
Mais do que entretenimento, a programação mostrou como a cultura pode ser uma ferramenta de inclusão e desenvolvimento. Criada em junho de 2024, a banda do Colégio Militar é formada por alunos neurodivergentes e nasceu a partir de uma experiência relacionada à musicoterapia, utilizando a música, os sons, o ritmo e a harmonia como instrumentos de desenvolvimento e socialização.
Para os fundadores Gabriel Castro e Isabel Gonçalves, os resultados ultrapassaram o palco. A experiência transformou relações e aproximou os integrantes. “Em resumo, mudou a minha vida esse projeto. Mudou a minha vida completamente”, contou Gabriel.
Isabel complementou destacando a transformação na sociabilidade dos estudantes. “A gente virou uma família, querendo ou não. Antigamente, a gente chegava no nosso ambiente de inclusão e falava: ‘Nossa, quem é esse povo?’. Agora a gente se junta, é tipo uma família, a gente viaja junto, a gente sai junto”.
A experiência também reforçou, que a inclusão precisa partir da sociedade como um todo. “Não são os atípicos que têm que ir para o mundo dos típicos, são os típicos que têm que entender o mundo dos atípicos”, destacou Isabel.
Um espaço para todos
A presença da Defensoria Pública no festival reforçou a importância de ampliar a discussão sobre inclusão para além da celebração. Parceira do Instituto Galo pelo terceiro ano consecutivo, a instituição atua na garantia dos direitos das pessoas com deficiência em diferentes áreas.
Para o defensor público Dr. Luís Renato, o festival também representa uma oportunidade de aproximar esse público de espaços que nem sempre são acessíveis no cotidiano.
“Você ter um festival em que as pessoas possam conhecer o estádio, possam também estar próximas do Galo Doido, isso é realizar sonhos e oportunizar que as pessoas com deficiência também tenham os espaços adequados para elas no lazer e na cultura”, afirmou.
Segundo ele, a parceria também permite aproximar as demandas identificadas no trabalho do Instituto Galo da atuação da Defensoria Pública. “A gente está aqui para oferecer o serviço da Defensoria em parceria com o Instituto Galo e com o Clube Atlético Mineiro”, explicou.
Para quem participa do festival, a experiência é também uma oportunidade de mostrar talentos, fortalecer vínculos e celebrar as conquistas coletivas. Aluna da APAE Piracema, Verônica Aparecida resumiu o sentimento de quem esteve presente. “O Festival da Inclusão está maravilhoso. A gente precisa mostrar nossos talentos, nossa atitude, nossos momentos juntos e unidos”, destacou.
A APAE Betim também participou das quatro edições do festival. Para Patrícia Gil, superintendente da instituição, a iniciativa cresceu e se consolidou ao longo dos anos justamente por colocar a inclusão em prática.
“Na 4ª edição do Festival da Inclusão, eu vejo que cada vez mais tem se consolidado uma proposta muito rica, de festejar cultura, de festejar inclusão, de festejar as diferenças. Porque o bonito é a gente poder conviver com as diferenças”, afirmou.
Patrícia também destacou o sentimento de pertencimento proporcionado pelo evento. “O festival traz pertencimento, traz ocupação dos lugares públicos, traz música, vida, lanche, empoderamento e inclusão social. Então isso é muito bacana e, para a APAE de Betim, estar aqui com tantas outras APAEs e tantos outros institutos é um grande privilégio”.
Da exclusão à oportunidade
A tarde também foi marcada pela presença de Dudu do Cavaco e Léo Gontijo, presidente do Instituto Mano Down. Os dois reforçaram a importância de iniciativas que colocam as pessoas com deficiência intelectual e múltipla no centro das atividades e garantem protagonismo. “Estamos aqui novamente nessa iniciativa maravilhosa do Instituto Galo, dentro da Arena, para trocar a palavra exclusão por oportunidade”, afirmam Léo e Dudu.
Dudu, que se apresentou durante o festival, celebrou a receptividade do público e a força da iniciativa. “A galera curtiu muito”, contou.
Ao reunir centenas de pessoas em um mesmo espaço, o Festival da Inclusão transforma a Arena MRV em um ambiente de convivência e mostra que a inclusão também se constrói com experiências compartilhadas. Entre música, encontros e celebração, a 4ª edição reforçou uma mensagem que esteve presente em cada apresentação: as diferenças não devem separar, mas aproximar.
Como resumiu Léo e Dudu durante o encontro: “Ser diferente é normal. E não importa a pergunta, a resposta é o amor”.
Instituto Galo – O maior projeto social do futebol da América Latina.
Siga o Instituto Galo nas redes sociais: @institutogalo

