Instituto Galo e Dunga entregam 60 novas casas a famílias atingidas pelas trágicas enchentes no Rio Grande do Sul

Em parceria com Dunga e a Seleção do Bem, iniciativa representa a segunda entrega de casas e transforma a solidariedade da Massa em oportunidade de recomeço.

Mais de dois anos depois das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, algumas famílias que perderam praticamente tudo começam a reconstruir as próprias histórias. Nesta terça-feira (11), o Instituto Galo esteve novamente no estado para entregar 60 novas moradias a pessoas atingidas pelas fortes chuvas de 2024. São 40 casas em São Leopoldo e outras 20 em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

A entrega é resultado da união de parceiros que, diante de uma das maiores tragédias climáticas da história do país, decidiram transformar a solidariedade em ações concretas. A iniciativa conta com a parceria do capitão da Seleção do Tetra, Dunga, e da Seleção do Bem.

O trabalho teve início ainda em agosto de 2024, quando o Instituto Galo mobilizou a Massa em uma grande corrente de solidariedade. Naquele período, o primeiro Treino Aberto da Arena MRV, realizado no mesmo dia em que o Atlético enfrentaria o Grêmio em Belo Horizonte, tornou-se um marco da campanha de arrecadação de donativos e recursos destinados às vítimas das enchentes.

Ao todo, cerca de R$ 3 milhões foram investidos na construção de novas moradias para famílias que perderam as casas e boa parte de dos pertences. A entrega desta terça-feira representa a segunda etapa desse trabalho.


Um recomeço depois da enchente

 

Para quem viveu a tragédia, voltar ao local onde antes existia uma casa é também reviver momentos difíceis. É o caso de Orides José Alves, morador de São Leopoldo. Em 2024, a água chegou rapidamente à região e obrigou a família a deixar a residência.

“Foi de uma hora para outra”, relembra Orides. “Daí a pouco a minha neta disse: ‘Ô vô, aqui tem um barulho de água aqui atrás’. Fui lá ver, já a água já estava no quarto”.

A família precisou deixar o local às pressas. Em outro momento, segundo ele, a água chegou à altura do pescoço e foram necessários dias até que fosse possível retornar.

“Foi terrível. 22 dias nós estávamos trancados, não tinha como entrar aqui. Custou muito para baixar isso aqui depois. 27 dias aqui embaixo da água, imagina?! As coisas nossas, tudo…”.

A nova casa, agora de pé, representa uma mudança completa de perspectiva. “Mas agora é alegria. E agradecer quem fez tudo por nós. Que Deus abençoe”, afirma Orides.

Para dona Nedir, a lembrança da enchente também é marcada pela perda de tudo o que tinha. Vivendo com a filha, ela mostra os cômodos da nova casa e fala sobre a emoção de finalmente ter um lugar seguro para reconstruir a vida. “Foi triste, meu filho. Fiquei sem nada. Perdi tudo”, conta.

A filha, que também vive na casa, enfrenta dificuldades e ainda carrega as marcas emocionais deixadas pela tragédia. Mesmo diante das perdas, a moradora encontra motivos para agradecer.

“Não tem uma noite que eu deite e que eu não peça. Eu peço para todos que nos ajudaram, né? A cada vez poder mais, né? Porque não é só eu que preciso, tem muita gente”.

Agora, a nova moradia traz conforto e segurança para a família. “Graças a Deus. Bah, bem quentinho aqui, é a coisa mais boa”, comemora.


A emoção de receber uma nova casa

 

Entre as famílias beneficiadas está também Sirlei, que vive com o neto, criado por ela desde bebê. Ao relembrar a enchente, ela resume a dimensão das perdas em poucas palavras.

Não salvei nada, nada, nada, nada. Móveis nenhum. Tudo, completamente tudo, até roupa. Eu tenho roupas porque eu ganhei.

Quem me deu muita força para seguir nessa vida foi meu pequeno. Se não fosse ele, eu teria feito besteira.”

Para Sirlei, a chegada da nova casa também foi marcada por uma surpresa. O contato aconteceu por meio da Seleção do Bem, depois que Osmar, integrante da iniciativa, conheceu a situação da família.

Ela conta que recebeu a notícia de que seria beneficiada e que, poucos dias depois, acompanhou a chegada do caminhão ao terreno. “Quando foi terça, o caminhão chegou aqui na frente e eu chorei. Eu chorei tanto, que eu não tinha mais nem o que chorar mais”. 

Desta vez, as lágrimas eram de felicidade. “Só de felicidade mesmo, com certeza”.

Lenir Assunção também recebeu uma das novas casas e fez questão de mostrar cada cômodo. Ainda organizando os pertences, ela conta que começou praticamente do zero depois da enchente. “Eu comecei do nada, né? Porque a gente tirou tudo que eu tinha”.

Mesmo com a casa ainda sendo organizada, a felicidade de ter novamente um lar é evidente. “Eu estou satisfeita com o que Deus me deu. Jesus sempre vai me ajudar muito mais do que isso, que eu entrego só nas mãos de Jesus”.

A emoção aumenta quando ela fala sobre o marido, que morreu antes de conseguir ver a nova casa. “Ele queria ver essa casinha, mas não deu tempo. Ele se foi antes de ver. Está vendo lá de cima”, diz, emocionada.

Além da moradia, as famílias receberam outros gestos de solidariedade. Todos ganharam cartões no valor de R$ 1 mil para compras em uma loja de departamentos, resultado da iniciativa de Daniela, que venceu um concurso de culinária e decidiu transformar o prêmio em ajuda para quem precisava reconstruir a casa.

“Eu não tenho nem como te dar palavras. Minhas palavras são só dizer obrigado e Deus sempre te fortaleça e te dê muita, muita vida para a frente, muita saúde e que ajude todo esse povo que precisa”, reage a moradora.


Mais do que uma casa, a possibilidade de sonhar novamente

 

A entrega das moradias representa segurança e dignidade para famílias que passaram por uma situação extremamente dolorosa. Mas, para Dunga, parceiro da iniciativa junto com a Seleção do Bem, o trabalho não termina quando a chave é entregue.

“Nós doamos a casa. Quem tem que transformar a casa em lar são as pessoas. Com carinho, com amor, com dedicação”, destaca.

Segundo ele, a reconstrução também passa pela capacidade de recuperar a esperança. “O mais importante que a gente tá dando com o coração. Nós estamos dando o nosso melhor, atender o máximo de pessoas possível. E não seria possível sem o Galo, o Instituto Galo que está conosco aqui”.

A presença do Instituto Galo também levou às famílias um pouco da alegria característica da Massa, com a participação do Galo Doido durante a ação. “Além das casas, o Galo Doido está aqui para trazer essa alegria, trazer essa interação com as pessoas”, afirma Dunga.

Para o ex-jogador, o principal objetivo é fazer com que aqueles que passaram pela tragédia possam voltar a acreditar em dias melhores.

“A gente tem que fazer as pessoas terem esperança de uma vida melhor. Tem que fazer as pessoas voltarem a sonhar, que é possível”, afirma. “Principalmente as crianças. A gente tem que passar isso para as crianças. Elas têm que sonhar e correr atrás do sonho”.

A entrega das 60 moradias reforça uma missão que começou com a mobilização da Massa em 2024 e que segue transformando a solidariedade em ações concretas. Mais do que construir paredes e telhados, o trabalho devolve às famílias a possibilidade de olhar para frente.

Para quem perdeu quase tudo, uma casa significa proteção. Para quem passou dias vendo a água tomar conta da própria história, significa segurança. E, para quem precisou começar novamente, significa a chance de transformar uma nova casa em um novo lar.

No fim, são as próprias famílias que melhor traduzem o significado desse recomeço. Como resume Orides, diante da nova moradia: “Agora é alegria, alegria mesmo”.

Instituto Galo – O maior projeto social do futebol da América Latina.

 

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